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PROVAS Morgado do Quintão

  • Writer: Francisco ByMyGlass
    Francisco ByMyGlass
  • Sep 10, 2023
  • 3 min read


É incerta a data exacta em que a mítica bebida do Mediterrâneo – o Vinho – terá chegado ao Algarve.


Era um produto que fazia parte das trocas comerciais entre Fenícios e os povos do Extremo Ocidente Peninsular, estando presente nos entrepostos comerciais que se instalaram no sul do actual território português.


Já a importação de vinho grego na região algarvia, está testemunhada em várias épocas dos séculos IV e V a.C..


Inicialmente importado por via marítima em ânforas, nesta altura o vinho era uma bebida cara e de consumo pontual, utilizado apenas em ocasiões especiais, protagonizadas pelas aristocracias, que viam nessas importações e consumos símbolos de poder e de manifestação do seu status social.


Foi assim que começaram então, as primeiras experiências de cultivo da vinha na região.

A videira selvagem já crescia de forma espontânea em território português, a sul do estuário do Tejo. No entanto, foi apenas sob as influências dos Fenícios e, sobretudo, dos Gregos, que se passará a fazer o seu cultivo, a par do da oliveira.


A generalização do consumo e cultivo da vinha na região algarvia, ocorrerá nos séculos seguintes, com a chegada das legiões romanas. E quando as influências dos hábitos alimentares mediterrânicos se foram propagando por esta região, já o consumo de vinho estava por lá bem enraizado.


Porém, o aumento da área de cultivo da vinha do Algarve, não impediu a importação de vinho - primeiro da Itália e, depois, da Bética (actual Andaluzia) e da Gália -, justificada pelas elites locais pela sua melhor qualidade.


Foi por esta época, que a ânfora foi substituída por barris e tonéis, servindo não apenas para o transporte do vinho, mas, também, para o seu armazenamento. E, foi também com as influências romanas, que os modelos de cultivo, produção e técnicas de vinificação existentes em Itália, chegaram a território nacional.


As vinhas terão continuado a marcar acentuadamente a região do Algarve, pelo menos até ao século V, altura em que as unidades de exploração agrária em larga escala entram, com a queda do Império romano, em colapso.


Dos séculos seguintes pouco ou nada se sabe sobre a produção vinícola nesta área, mas, uma vez que muitas das povoações deixadas pelos romanos continuaram a ser ocupadas, também algumas das suas tradições rurais foram prosseguidas e as sua produções agrícolas preservadas.


Entre os séculos XI e XII, também os muçulmanos deram continuidade e tiraram o proveito destas produções, sendo o vinho a bebida de eleição nas festas privadas dos reis da Taifa de Silves.



Fast forward para o ano de 1810, o Morgado do Quintão foi nesse ano fundado pelo 1º conde de Silves, mantendo-se na mesma família desde então.


O Filipe Caldas de Vasconcellos, actual proprietário e descendente do Conde de Silves, agarrou o chamamento das vinhas velhas, dos olivais e do amendoal da propriedade e iniciou uma nova etapa da história desta propriedade.


Abraçando as castas nativas e os métodos de vinificação naturais, de modo a exprimir a 100% o terroir algarvio, a belíssima estética de todos os vinhos aqui produzidos está presente desde o excelente produto no interior da garrafa, aos rótulos da artista plástica Teresa Caldas de Vasconcellos, mãe do Filipe.


Já de Maio, mas que não podia deixar passar, deixo aqui um registo fotográfico de uma excelente prova, que decorreu no Jardim da Estrela, de forma descontraída e artística, culminando num belo final de tarde onde revi muitos amigos dos vinhos.

Obrigado ao Morgado do Quintão e ao Rodrigo Quina da Wine2Help pelo convite!

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